A Profissão

de arquitecto de interiores

1. O que é um arquitecto de interiores?

O arquitecto de interiores é um profissional da construção, atento ao ambiente em que o ser humano vai evoluir. Atua geralmente no interior de um edifício, antigo ou novo, seja para uso privado ou empresarial. Pode colaborar com um arquitecto (designado HMONP(1) em França) ou com um engenheiro civil (como em Portugal), e, eventualmente, com um designer ou decorador.

A função do arquitecto de interiores (2) é reorganizar volumes, reestruturar espaços, repensar circulações e definir uma utilização coerente com o momento atual.

O arquitecto de interiores transforma restrições técnicas em oportunidades, encontrando soluções para otimizar metros quadrados e reduzir espaços desperdiçados, sempre em função do uso pretendido. Também considera iluminação, acústica, ventilação e escolha de materiais, para garantir coerência e harmonia em todo o projeto. O resultado são espaços mais fluídos, funcionais, confortáveis e agradáveis de viver.

Formação inicial

O arquitecto de interiores segue uma formação de 5 anos (1º e 2º ciclos, incluindo estágios), validando competências artísticas, técnicas e regulamentares. Esta formação inclui: investigação plástica, domínio de ferramentas digitais de conceção e representação, legislação da construção e línguas estrangeiras.

Atualmente, o arquitecto de interiores desenvolve o seu pensamento e metodologia com base numa formação superior única em artes aplicadas, certificada por entidades como o CFAI (3).

(1) HMONP = Habilitação para exercer a Direção de Obra em Nome Próprio
(2) Ver § 4
(3) Conselho Francês de Arquitectos de Interiores, http://www.cfai.fr/fr/histoire

2. Contexto de atuação

Projetar um espaço dentro de um edifício é respeitar a arquitetura, levando-a até ao fim. É analisar as restrições de um edifício numa escala diferente: a do indivíduo. É também valorizar a sua utilização num tempo específico: o presente.

No centro da arquitectura, o arquitecto de interiores delimita territórios e define trajetórias humanas. Capaz de conceber espaços inteligentes, tratar questões de imagem e ambiente, ou resolver detalhes técnicos, é um criativo polivalente que garante a execução do seu projeto.

A sua intervenção precede muitas vezes a do designer ou decorador, mas colabora frequentemente com eles na fase final. A sua atividade abrange áreas muito diversas: design de produto, mobiliário, sinalética, têxtil ou estudo de cor, com um foco comum, o espaço.

3. Porquê contratar um arquitecto de interiores?

O arquitecto de interiores aconselha o cliente na conceção do seu futuro espaço habitacional ou profissional, evitando erros que só seriam visíveis após a execução.

Ajuda a definir necessidades e desejos, traduzindo-os num projeto adaptado às expectativas. Além disso, contribui para poupar tempo e reduzir custos.

Em França, possui competências e seguros, incluindo a garantia decenal. Pode intervir na estrutura do edifício (ex: abrir escadas entre pisos, remover paredes portantes), o que não é permitido a um decorador.

Em Portugal, a legislação é mais restritiva. O arquitecto de interiores precisa, por vezes, de autorização da câmara municipal para certas obras.

Para intervenções estruturais (paredes portantes, escadas, remodelações profundas), deve envolver um engenheiro civil ou gabinete de arquitetura, responsável por licenças de construção.

Por isso, o arquiteto de interiores trabalha frequentemente com equipas multidisciplinares (arquitetos, engenheiros, decoradores), acompanhando o cliente desde os primeiros esboços até à finalização, incluindo o acompanhamento da obra.

Representa os interesses do cliente junto de outros intervenientes e garante o bom desenrolar do projeto.

4. Etapas principais de um projeto

Antes de submeter um projeto a um arquitecto de interiores, o cliente (designado «dono de obra») deverá previamente ter elaborado um programa e definido o seu orçamento.

A missão-tipo de um arquitecto de interiores divide-se em 2 grandes fases :

Conceção
Execução

 

A Conceção subdivide-se, por sua vez, em várias etapas que permitem uma definição técnica cada vez mais precisa do projeto :

Esboços
Anteprojeto simples
Anteprojeto definitivo
Projeto de conceção geral

Durante esta fase de conceção, o arquitecto de interiores verificará se os meios fornecidos pelo cliente são conformes e suficientes para levar o projeto até ao fim.

Pontualmente, a missão do arquitecto de interiores pode limitar-se à fase de criação-conceção.

 

A Execução compreende :

A elaboração do caderno de encargos para consulta às empresas
O apoio na negociação dos contratos de obras
A direção da obra
O apoio na receção

 

A missão do arquitecto de interiores termina quando todas as reservas formuladas na receção da obra forem levantadas.

O arquitecto de interiores pode também ser solicitado para missões de consultoria e de direção artística que se definem de forma personalizada em função dos objetivos e dos meios.

A profissão de arquitecto de interiores

Na Europa

Se a profissão de arquitecto de interiores é conhecida, reconhecida e estruturada na quase totalidade dos países da União Europeia, isso ainda não acontece em Portugal.

Assim, em Portugal, a especificidade da profissão de arquitecto de interiores não está oficialmente definida e não existe qualquer formação dedicada. É muitas vezes, de forma incorreta, assimilada à função de decorador de interiores ou de designer.

Por outro lado, em França, como vimos anteriormente, a profissão é certificada por associações profissionais como, entre outras, o CFAI (5 anos de formação académica), a UNAID, etc. Na Europa, é reconhecida no quadro da ECIA, com exceção de Portugal.

A ECIA (European Council of Interior Architects) é uma plataforma europeia destinada a representar e promover a profissão qualificada de arquiteto de interiores/designer.

    Reúne os seguintes países membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Islândia, Itália, Noruega, Países Baixos, Eslováquia, Suécia e Suíça.

    A ECIA estabelece as bases da excelência na profissão de arquitecto de interiores, definindo normas para a educação e a formação. O objetivo de um programa de ensino em arquitectura de interiores é desenvolver a sensibilidade, o conhecimento, a capacidade intelectual e as competências do estudante — que devem ser fundidas na aptidão para conceber e planear o espaço interior. A divisão inevitável de um programa em áreas de conhecimento e a subdivisão em cursos, disciplinas ou matérias comporta o risco de fragmentar o currículo em unidades distintas, nas quais prevalecem as perspetivas e os paradigmas individuais dos professores especialistas. Um curso de arquitectura de interiores deve, por isso, ser organizado de forma a garantir que os conteúdos e as atividades de investigação sejam interdependentes e integrados.

    Na Carta Europeia de Formação em Arquitectura de Interiores, o caminho a seguir para adquirir os conhecimentos e a experiência adequados foi clarificado com a introdução de uma estrutura de formação em três partes. As partes 1 e 2, neste documento designadas por «educação», refletem o que é adquirido através do ensino universitário. A parte 3, designada por «prática», corresponde a um período de experiência profissional supervisionada. A combinação entre «educação» e «prática» constitui a «formação», usada para descrever a competência plena de um arquitecto de interiores adquirida tanto na vertente académica como na experiência profissional (revisão da Carta, 2013).

    A formação em arquitectura de interiores deve garantir que os profissionais qualificados possuam as competências adequadas nesta área, incluindo o conhecimento dos sistemas técnicos e dos requisitos legais, bem como a consideração da saúde, segurança e equilíbrio ecológico; que compreendam o contexto cultural, intelectual, histórico, social, económico e ambiental da arquitetura de interiores; e que entendam e assumam o papel e a responsabilidade dos arquitectos de interiores na sociedade.

 

Ver os detalhes da ECIA no site oficial: https://ecia.net/